Pesquisar

Minhas Redes Sociais – Nosso contato direto com você

No link abaixo nosso contato e nosso endereço de redes sociais. Siga-nos nestas Redes Sociais e tenha sempre acesso as informações que publicamos regularmente.



CLIQUE AQUI!

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Outra maneira de olhar.

Outra maneira de olhar

Gostaria de poder ver o mundo.
Gostaria de olhar ao redor.
Andar sem medo de nada,
Era bem melhor.

Gostaria de ver as estrelas,
Ver o céu e também ver a lua,
Eu queria viver minha vida,
Assim como vive a sua.

Gostaria de não ter limites,
Conhecer o lugar que quiser,
E contar só comigo mesma 
Para o que der e vier.

Gostaria de poder ver o rosto,
Das pessoas e poder conhecer,
Os traços de cada uma,
Ir ao espelho e poder me ver.

Mas como isso não é possível,
Eu não vivo de ilusão,
Pois já entendi que os meus olhos,
São as minhas mãos.

É a nossa maneira de olhar,
Preste muita atenção,
Nossas mãos são os nossos olhos,
É a nossa visão.

É uma  outra maneira de olhar,
Que você precisa entender.
Ela nos traz limites,
Mas não nos impede de vencer.

Inês Berlanda Seidler

terça-feira, 26 de julho de 2016

DEPOIMENTO: ‘A CEGUEIRA NÃO PODE ME IMPEDIR DE TER UMA VIDA COMO A SUA, MAS VOCÊ PODE’

Marina Yonashiro
Enquanto a escada rolante me levava para o alto, eu pedia mentalmente para que houvesse resquícios de luz no lado de fora. Não haveria, eu sabia que não, e meu coração pesava por isso. O mundo girava, girava, estando ou não escuro lá fora. A escada continuava a subir e eu tentava não pensar.

Dei alguns passos para frente, olhando o céu. A iluminação vinha das luzes amarelas e brancas dos postes e prédios. Fui contra o ar da noite, contra o frescor da rua que me oprimia. Encontrei o piso tátil com a ponta da bengala e tentei segui-lo. Eram apenas dois quarteirões até a faculdade. Apenas dois, podia ser pior. Já tinha ouvido histórias piores.

A primeira pessoa esbarrou em mim com certo descaso. Segurei a bengala com mais força e apertei os olhos na escuridão para tentar desviar da próxima vez. Consegui ver um vulto, quando estava a um braço de distância. Minha visão, naquele breu, não podia fazer mais que aquilo.

Tive que dar uns passos para fora da linha que me guiava. Depois, fiz um gesto para encontrá-la novamente, mas um grupo de jovens falando e rindo alto cruzou meu caminho. Segui em frente, desorientada, procurando luzes que pudessem me guiar em meio às pessoas andando apressadas, como verdadeiras paulistanas. Como se faz verdadeiramente em uma avenida Paulista.

Uma pessoa tropeçou na minha bengala. Ela chegou a levantar a voz, mas logo calou-se ao me ver. Pelo menos isso: a docilidade muda daqueles que se acham superiores.

Além da bengala, coloquei o outro braço à frente do corpo. Eu não podia recuar nem esperar a ajuda de alguém. Encontrei, enfim, o piso tátil. Meus ombros relaxaram, até que ouvi música um pouco mais adiante, exatamente na minha frente. Abandonei novamente meu orientador pensando em tantas atitudes revoltosas e não podendo expressar nenhuma.

Eu precisava estudar. Conseguir um diploma e uma chance de ser efetivada no local onde estagiava. Estudar para que um dia fizesse um juramento do qual não me lembraria dali a três meses. Estudar para debater com pessoas que nunca leram Foucault ou Bourdieu. Estudar para ser esquecida, para ser invisível.

Carros buzinavam, motos rugiam. Vários ônibus passaram em grande velocidade, em uma velocidade que não parecia natural um automóvel tão grande se mover, e suor escorria das minhas têmporas e entre meus seios.

Vi a larga entrada da faculdade. Desviei de algumas pessoas para conseguir entrar e guardei minha bengala, porque agora meu desafio era outro.


Fonte:http://ondda.com/noticias/2016/07/depoimento-cegueira-nao-pode-me-impedir-de-ter-uma-vida-como-sua-mas-voce-pode

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Casal com deficiência visual pode adotar um filho?

Exame de ordem da OAB, dentre as questões, uma sobre adoção por casal com deficiência visual:
João e Maria são casados e ambos são deficientes visuais. Enquanto João possui visão subnormal (incapacidade de enxergar com clareza suficiente para contar os dedos da mão a uma distância de 3 metros), Maria possui cegueira total. O casal tentou se habilitar ao processo de adoção de uma criança, mas foi informado no Fórum local que não teriam o perfil de pais adotantes, em função da deficiência visual, uma vez que isso seria um obstáculo para a criação de um futuro filho.

Diante desse caso, assinale a opção que melhor define juridicamente a situação.

A) A informação obtida no Fórum local está errada e o casal, a despeito da deficiência visual, pode exercer o direito à adoção em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, conforme previsão expressa na legislação pátria.

B) A informação prestada no Fórum está imprecisa. Embora não haja previsão legal expressa que assegure o direito à adoção em igualdade de oportunidades pela pessoa com deficiência, é possível defender e postular tal direito com base nos princípios constitucionais.

C) Conforme previsto no Art. 149 do Estatuto da Criança e do Adolescente, cabe ao juiz disciplinar, por meio de Portaria, os critérios de habilitação dos pretendentes à adoção. Assim, se no Fórum foi dito que o casal não pode se habilitar em função da deficiência é porque a Portaria do Juiz assim definiu, sendo esta válida nos termos do artigo citado do ECA.

D) Como não há nenhuma previsão expressa na legislação sobre adoção em igualdade de oportunidades por pessoas com deficiência e os princípios constitucionais não possuem densidade normativa para regulamentar tal caso, deve-se reconhecer a lacuna da lei e raciocinar com base em analogia, costumes e princípios gerais do direito, conforme determina o Art. 4º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro.

Comentários

Uma questão que podemos resolver com bom senso. Veja, não há nada na legislação fixando a impossibilidade de adoção por pessoas com limitação visual. Tal como estudamos nas aulas, a deficiência visual constitui um obstáculo presente no meio social e não uma limitação de capacidade da pessoa.

Desse modo, se a pessoa for capaz e preencher todos os demais requisitos exigidos pela legislação, não há qualquer impedimento para que possam adotar.

Desse modo, a alternativa A é a correta e gabarito da questão. Não bastasse, a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência – que é norma com status constitucional em nosso ordenamento – prevê expressamente a possibilidade de adoção por pessoas com deficiência. Veja o art. 23, 2, da Convenção:

2.Os Estados Partes assegurarão os direitos e responsabilidades das pessoas com deficiência, relativos à guarda, custódia, curatela e adoção de crianças ou instituições semelhantes, caso esses conceitos constem na legislação nacional. Em todos os casos, prevalecerá o superior interesse da criança. Os Estados Partes prestarão a devida assistência às pessoas com deficiência para que essas pessoas possam exercer suas responsabilidades na criação dos filhos.

A alternativa B e D estão incorretas, pois temos norma expressa, conforme citado acima.

A alternativa C está totalmente incorreta, pois o art. 149 do ECA trata da possibilidade de edição de portaria para entrada e permanência em determinados locais e também para participação em eventos.


Fonte: https://www.estrategiaconcursos.com.br/blog/comentarios-prova-do-xx-exame-de-ordem-direitos-humanos/