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quinta-feira, 23 de março de 2017

Cientistas italianos desenvolve retina artificial.

Cientistas do Instituto Italiano de Tecnologia divulgaram na semana passada os primeiros resultados de testes realizados com uma nova retina artificial 100% orgânica que promete devolver a visão às pessoas.

O desenvolvimento de implantes artificiais relacionados à oftalmologia tem avançado consideravelmente nos últimos anos e são uma das principais promessas para resolver problemas de visão de milhões de pessoas em todo o mundo. E, no que depender da equipe de cientistas do Instituto Italiano de Tecnologia, isso pode acontecer até o fim deste ano.

Desenvolvida em laboratório, a retina artificial é capaz de converter a luz em sinais elétricos, que estimulam os neurônios da retina e podem devolver a visão a quem sofre com problemas de degeneração retiniana.

Para entender como o implante funciona, antes é preciso entender o que é e como funciona a retina. Ela é uma parte do olho dos vertebrados responsável por formar imagens. Com aproximadamente 120 milhões de fotorreceptores responsáveis por capturar a luz que chega aos olhos, a retina pode acabar se degenerando quando há qualquer falha em um dos 240 genes relacionados a ela. Quando isso acontece, as células da retina morrem e impactam na visão periférica e central e na discriminação de cores. Sorte que as células nervosas ao redor da retina continuam intactas, o que permite que o implante dos cientistas italianos desponte como uma potencial solução.

A invenção dos cientistas consiste em colocar uma fina camada de um polímero condutor sobre uma base coberta por um outro polímero semicondutor, que age como um material fotovoltaico responsável por absorver a luz quando ela atinge os olhos. Nesse processo, a eletricidade estimula os neurônios retinianos, preenchendo a falha que existe na retina do paciente.

Experimentos iniciais conduzidos em laboratório com ratos geneticamente selecionados para desenvolver degeneração retiniana mostraram que os bichinhos recuperaram a visão 30 dias após a cirurgia.

10 meses após o procedimento cirúrgico, os cientistas voltaram a avaliar os ratos e constataram que eles apresentavam perdas visuais decorrentes da idade mais avançada, o que comprova que o experimento foi bem-sucedido. Também foi constatado que houve uma melhoria na atividade do córtex visual primário, que processa a informação visual, nos animais que voltaram a enxergar.

De posse desses dados, os cientistas concluíram que o implante havia ativado diretamente os circuitos neurais residuais da retina degenerada. Mesmo assim, ainda são necessários mais estudos para compreender exatamente como o implante funcional a nível biológico.

"Esperamos replicar os resultados obtidos em modelos animais em seres humanos. Nosso plano é realizar os primeiros ensaios humanos no segundo semestre deste ano e reunir resultados preliminares durante 2018", disse o oftalmologista e cientista Grazia Pertile. "Este implante poderia mudar tudo no tratamento de doenças retinianas extremamente debilitantes".

Fonte: Science


quinta-feira, 16 de março de 2017

Um pouco sobre a baixa visão.

Entre os 15 e os 16 anos de idade, durante o acompanhamento oftalmológico de rotina, descobri uma doença degenerativa na retina que causa uma perda visual progressiva: a retinose pigmentar.

Desde então, convivo com esta condição. Mas o que pretendo neste texto não é contar minha história de vida, muito menos falar de “superação” – como espera o senso comum – e sim descrever algumas características da baixa visão, sobretudo da minha, com o objetivo de difundir informação e combater o preconceito.

O universo da baixa visão é muito variado e, segundo os especialistas, é formado por 80% das pessoas com deficiência visual. Isso mesmo, apenas 20% das pessoas com deficiência visual são cegas, sendo esta uma informação pouco conhecida.

Assim, uma grande parte deste grupo apresenta características diversas, de acordo com o grau e o tipo de perda da visão. Só de retinose pigmentar existem mais de 100 tipos e cada um deles com vários graus de resíduo visual.

Uma primeira informação sobre as pessoas com baixa visão é o fato de usarem ou não a bengala, instrumento que auxilia na locomoção, na autonomia e que, geralmente, é relacionado a uma pessoa que não enxerga nada. Eu, por exemplo, a utilizo, pois minha perda visual apresenta duas características que fazem necessário o seu uso.

Primeira, minha retinose pigmentar atingiu mais a parte periférica da retina do que a central. Na prática consigo ver mais aquilo que está na minha frente do que aquilo que está no chão, correndo o risco de tropeçar bastante ou até mesmo cair em um buraco. Segunda, minha retinose pigmentar causa maior dificuldade de enxergar à noite ou em ambientes mais escuros, o que é conhecido como “cegueira noturna”. Portanto, a bengala se torna fundamental para a locomoção durante o tempo todo, mesmo eu tendo muito mais facilidade de ver e andar durante o dia do que durante a noite.

A partir disso, outra informação sobre o grupo de pessoas com baixa visão é o fato de conseguirem enxergar mais do que as pessoas imaginam e, ao mesmo tempo, menos do que possa parecer. Alguns exemplos: durante o dia eu consigo ver um carro estacionado do outro lado da rua (sem identificar a marca ou a cor); consigo ver as outras pessoas (sem identificar quem é); mas posso não ver um degrau, um buraco, um poste, um galho de árvore. Posso ver a cor da camiseta de outra pessoa, mas posso não vê-la acenar ou piscar para mim. Posso ler um outdoor, mas não ler um panfleto. Enfim, tudo depende do contraste, da luminosidade, das cores, da distância, das formas etc.

Além disso, muitas pessoas com baixa visão não aparentam ter uma perda visual, pois os olhos não apresentam deformidades, como é o meu caso, já que a degeneração ocorre nas retinas, que ficam no fundo dos olhos. Com isso, é comum a desconfiança constante das outras pessoas ao me verem andar com a bengala e, ao mesmo tempo, olhar para elas ao conversar ou desviar de objetos na rua.

Conheço muitas pessoas com baixa visão que não precisam da bengala, mas também conheço muitas que precisam e não aceitam usá-la ou sentem medo e vergonha. Posso dizer, sem receio de errar, que esta desconfiança é um dos principais obstáculos para a aceitação da bengala. Desta desconfiança surgem ameaças e agressões verbais ou físicas – situações que experimento diversas vezes no cotidiano e que me fazem usar os óculos escuros sempre e, dessa maneira, “vestir” o papel social do “cego” tão esperado por todos.

E para ilustrar mais ainda esta situação, cito o exemplo de um amigo advogado, que tem baixa visão e que precisa da bengala somente à noite. A desconfiança em relação a ele é constante, constrangedora e um obstáculo para o seu convívio social saudável, inclusive no seu bairro.

Assim, antes de finalizar este texto, considero fundamental afirmar a importância da bengala e estimular o seu uso quando necessário nos casos de baixa visão. Ela constitui um símbolo historicamente negativo, carregado de preconceitos, mas que proporciona, principalmente, autonomia. E justamente por este motivo deve ser valorizada e vista como instrumento da inclusão e não da dependência e da pena.

Portanto, deixo aqui, para finalizar, duas reflexões: uma em relação ao preconceito. Nem tudo é o que aparenta ser. Não julgue as pessoas com deficiência antes de conhecê-las a partir de estereótipos errôneos que infelizmente já estão cristalizados no imaginário popular. Na dúvida, pergunte, busque informação e colabore para esclarecer e eliminar atitudes preconceituosas. A outra é sobre a bengala, instrumento que, apesar de ser um estigma que gera atitudes, sentimentos e pensamentos que não colaboram para a inclusão efetiva, me proporcionou autonomia, melhorou minha auto-estima e que no dia-a-dia me serve como arma na guerrilha por um mundo que respeite as diferenças de cada um. Espero que todos um dia consigam enxergá-la desta forma, que todos a vejam simplesmente como mais uma característica da diversidade humana.




Fonte:http://www.bemparana.com.br/viasabertas/ola-mundo/

domingo, 12 de março de 2017

Tenho problema na visão,, será que eu posso ser considerado deficiente visual?



A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI - Lei 13.146/15), antigo Estatuto da Pessoa com Deficiência, considera a pessoa com deficiência “aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas”.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Baixa Visão pode ser classificada nos seguintes aspectos:
– 20/30 a 20/60 : é considerado leve perda de visão, ou próximo da visão normal
– 20/70 a 20/160 : é considerada baixa visão moderada, baixa visão moderada
– 20/200 a 20/400 : é considerado grave deficiência visual, baixa visão grave
– 20/500 a 20/1000 : é considerado visão profunda, baixa visão profunda
– Inferior a 20/1000 : é considerado quase total deficiência visual, cegueira total ou quase
– Nenhuma Percepção da luz : é considerada total deficiência visual, cegueira total

Neste  link abaixo apresenta-se o significado das palavras cegueira, visão subnormal, deficiência visual e deficiente visual, no sentido médico e jurídico.


Hoje a minha visão é de aproximadamente 20/400 em ambos os olhos e posso dizer que consigo enxergar alguma coisa, como, formas e diferenciar cores escuras e claras . Em locais que se conhece, dá pra andar bem dentro do possível , porque dá pra perceber móveis, colunas, mesas, portas, paredes, postes, carros próximos, etc. Não  consigo enxergar fisionomias, imagens de fotos e vídeos, movimento do mouse no PC e características de ônibus, que aparecem tudo borrado e embaçado. Para se locomover, só com uma bengala, podendo desviar de carros estacionados, barracas, postes, orelhões ou qualquer outro obstáculo que pode ser percebido de perto. Leitura e escrita só com braille ou computador com leitor de tela.
Bem é esta é a minha visão durante o dia pois como vocês podem imaginar como tenho Retinose pigmentar minha visão a noite é bem pior. Me lembro que quando eu tinha por volta de 20/150tinha   certa dificuldade de enxergar longe. Conseguia se locomover na rua sem auxilio de bengala, esbarrando de  vez em quando com pessoas,objetos,buracos, tendo muita dificuldade Em locais com pouca iluminação. Ônibus só  dava pra ler o destino de perto, quase no ponto. Leitura e escrita ainda conseguia fazer , porém com maior dificuldade e cansaço. Computador,  dava pra usar com a cara colada, dando pra afastar mais se mudar contraste de cores ou ampliador de tela para aumentar as letras. 

Autor:Paulo Ricardo
Referencias:
http://www.iorj.med.br/baixa-visao/ 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm

Neste texto apresenta-se o significado das palavras cegueira, visão subnormal, deficiência visual e deficiente visual, no sentido médico e jurídico.

Neste texto apresenta-se o significado das palavras cegueira, visão subnormal, deficiência visual e deficiente visual, no sentido médico e jurídico.
Cegueira e cegueira legal
Entende-se por cegueira, tanto a perda total da visão quanto a perda parcial, segundo critérios bem definidos. Oftalmologistas evitam utilizar a palavra cegueira frente a pacientes e suas famílias, exceto nos casos de cegueira total. Na maioria das vezes, utiliza-se palavras como deficiência visual leve, moderada ou severa.
Em 1973, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou o relatório técnico nº 518 sobre Prevenção da Cegueira, no qual propôs a padronização da definição de deficiência visual e cegueira em âmbito mundial, com o objetivo de facilitar a compilação de dados estatísticos internacionais. Sugeriu que todos os Países adotassem a definição proposta e recomendou que Países que adotassem outras definições deveriam ajustar suas estatísticas à prática internacional.
Cegueira passou a ser definida como deficiência visual severa em ambos os olhos. O Brasil adotou a definição proposta pela OMS em suas leis dirigidas a facilitar a inserção de deficientes visuais na sociedade, em serviços de reabilitação e no mercado de trabalho, além de oferecer outros benefícios sociais como isenção de impostos e aposentadorias especiais. O portador de cegueira em ambos os olhos é classificado como deficiente físico por deficiência visual.
Segundo a definição adotada internacionalmente, apenas pessoas portadoras de cegueira nos dois olhos são considerados deficientes visuais. A cegueira em apenas um olho, a chamada visão monocular, não se enquadra no conceito de cegueira. Portadores de deficiência visual moderada ou severa em um dos olhos, não se consideram cegos e ficariam indignados, discriminados e mesmo agredidos moralmente se “classificados” como cegos.
O Brasil e outros países possuem legislação específica, com o objetivo de facilitar a inserção de deficientes visuais na sociedade, em serviços de reabilitação e no mercado de trabalho, além de obter outros benefícios sociais como isenção de impostos, aposentadorias especiais etc.
Neste sentido houve necessidade de definir parâmetros para classificar quais portadores de deficiência visual bilateral severa poderiam se habilitar aos benefícios da Lei. A portaria nº 3.128/2008, em seu art. 1º define quem pode ser classificado como deficiente visual:
Art. 1º
• 1º Considera-se pessoa com deficiência visual aquela que apresenta baixa visão ou cegueira.
• 2º Considera-se baixa visão ou visão subnormal, quando o valor da acuidade visual corrigida no melhor olho é menor do que 0,3 e maior ou igual a 0,05 ou seu campo visual é menor do que 20º no melhor olho, com a melhor correção óptica (categorias 1 e 2 de graus de comprometimento visual do CID 10) e considera-se cegueira quando estes valores encontram-se abaixo de 0,05 ou o campo visual menor do que 10º (categorias 3,4 e 5 do CID 10).
No entendimento médico,  “melhor olho” é entendido como aquele que tem melhor função, melhor visão considerando-se os dois olhos de cada pessoa. Se determinada pessoa perdeu um dos olhos, o olho remanescente é “seu melhor olho”; se perdeu total ou parcialmente a visão de um dos olhos, o olho que se mantém com boa visão é “seu melhor olho”; se os dois olhos apresentam baixa visão, aquele que apresenta visão menos prejudicada é “seu melhor olho”.
Utiliza-se o termo cegueira legal para indicar os portadores de deficiência visual severa (categorias 3, 4 e 5 do CID 10) nos termos do § 2º do art.1º da portaria 3.128/2008: considera-se cegueira quando valor da acuidade visual corrigida no melhor olho encontra-se abaixo de 0,05 ou o campo visual menor do que 10º . Este conceito de cegueira legal é utilizado em estatísticas oficiais sobre registro de pessoas cegas e também em trabalhos científicos na literatura oftalmológica.
Visão subnormal
O termo visão subnormal é utilizado para descrever pessoas com deficiência visual leve ou moderada nos dois olhos: Considera-se visão subnormal, quando a acuidade visual corrigida no melhor olho é menor do que 0,3 e maior ou igual a 0,05 ou seu campo visual é menor do que 20º no melhor olho, com a melhor correção óptica (categorias 1 e 2 de comprometimento visual do CID 10).
Deficiência visual
A palavra deficiência visual refere-se à condição de qualquer pessoa que apresente cegueira ou visão subnormal, mas também à deficiência de visão cromática, estrabismo, diplopia e outras condições. O termo visão monocular é utilizado para portadores cegueira legal em um dos olhos com visão normal no outro (CID H54.4). Estes deficientes visuais não se enquadram na definição de cegueira legal definido na portaria 3.128/2008.
O ser humano adapta-se bem à perda da visão de um dos olhos. Mantém-se visão de profundidade adequada para a maioria das atividades da vida diária, inclusive direção de veículos automotores. A legislação para obtenção de carteira nacional de habilitação permite que indivíduos com visão monocular obtenham CNH categorias A e B. A visão normal em apenas um olho é adequada para locomoção, leitura, estudo, competição em ambiente de trabalho. A perda da capacidade laboral não está presente nos casos da pessoa monocular, para a maioria das profissões. Qualquer deficiência visual implica em dificuldades e incômodos às pessoas acometidas. Entretanto, apenas os portadores de deficiência visual bilateral severa podem ser enquadrados na definição de cegueira legal, passando a usufruir de benefícios sociais previstos na legislação pertinente.
Deficiente visual
Deficiente visual é qualquer pessoa com cegueira legal, para fins de registro em estatísticas de saúde pública eque pode se utilizar dos benefícios da Lei reservados a deficientes físicos.
Em 2009, no Brasil, a súmula 377 do STJ alterou o conceito de cegueira legal para fins de cotas para deficientes visuais em concursos públicos ao incluir os portadores de visão monocular como deficientes visuais.
Leia também:
Lei de Cotas e Visão Monocular
Definição de classes de comprometimento visual e Classificação Internacional de Doenças(CID 10):
H54 Cegueira e visão subnormal ( Nota : Para a definição de classes de comprometimento visual, usar a Tabela a seguir)
H54.0 Cegueira, ambos os olhos – Classes de comprometimento visual 3, 4 e 5 em ambos os olhos
H54.1 Cegueira em um olho e visão subnormal em outro -Classes de comprometimento visual 3, 4 e 5 em um olho, com categorias 1 ou 2 no outro olho
H54.2 Visão subnormal de ambos os olhos – Classes de comprometimento visual 1 ou 2 em ambos os olhos
H54.3 Perda não qualificada da visão em ambos os olhos – Classes de comprometimento visual 9 em ambos os olhos
H54.4 Cegueira em um olho – Classes de comprometimento visual 3, 4 ou 5 em um olho [visão normal no outro olho] H54.5 Visão subnormal em um olho – Classes de comprometimento da visão 1 ou 2 em um olho [visão normal do outro olho]
Nota:
O quadro abaixo apresenta a classificação da gravidade do comprometimento visual que foi recomendado pelo Grupo de Estudos sobre a Prevenção da Cegueira da OMS (WHO Technical Report Series nº 518, 1973)
O termo “visão subnormal” encontrado na categoria H54 compreende os graus 1 e 2 do quadro abaixo; o termo “cegueira” os graus 3, 4 e 5. Caso a extensão do campo visual venha a ser levada em consideração, os pacientes cujo campo visual se encontre entre 5° e 10° em torno do ponto central de fixação devem ser colocados no grau 3 e os pacientes com campo até 5° em torno do ponto central de fixação serão colocados na categoria 4, mesmo se a acuidade central não estiver comprometida.
Graus de comprometimento visual
Acuidade visual com a melhor correção visual possível
Visão do melhor olho inferior a                    Visão do pior olho igual ou melhor que
 1                                                                               20/70 ou 0,30                                              20/200 ou 0,10
 2                                                                               20/200 ou 0,10                                            20/400 ou 0,05
 3                                                                               20/400  ou  0,05                                          20/1200 ou conta dedos a 1m
 4                                                                               20/1.000  ou  0,02                                       percepção de luz
 5                                                                   Ausência de percepção de luz
Referências:
Fonda, G. Management of Low Vision. Thieme-Stratton, New York, 1981, 248 p.
Portaria nº 3.128/2008 (Regulamenta ações de atenção à pessoa com deficiência visual)
WHO Technical Report Series nº 518, 1973

Fonte:http://yw.med.br/cegueira-deficiente-visual/

GENOTIPAGEM EM OFTALMOLOGIA.

A genotipagem é indicada para aconselhamento genético, para aprimorar o
diagnóstico e indicar a possibilidade do paciente participar de algumas
pesquisas clínicas
O que é genotipagem?
É a identificação das alterações genéticas que causam
determinada doença em indivíduos de uma família. Quando a doença é de causa cromossômica, o cariótipo é o exame indicado para detecção de alterações cromossômicas. Mas quando a causa é gênica, é necessário o diagnóstico genético molecular, que pesquisa mutações em genes relacionados à doença.
Por que genotipar?
Até bem pouco tempo atrás a genotipagem era usada para
aconselhamento genético em determinadas situações familiares.. Hoje há duas
novas indicações: diagnóstico e tratamento.
Para diagnóstico deve-se conhecer mais profundamente a doença para melhor
entendimento das bases moleculares que a causam. Protocolos de estudos
clínicos em pacientes estão avaliando novos tratamentos. E o diagnóstico
molecular é critério de inclusão em alguns desses protocolos.. Alguns destes
tratamentos visam corrigir defeitos genéticos, por meio de terapia gênica. A
abordagem pode ser ao nível do DNA, RNA ou em terapias de reposição de
proteína ou substâncias que interfiram no metabolismo.
A clínica é soberana?
O direcionamento da pesquisa genética se baseia em diagnósticos clínicos
precisos e na identificação do padrão de herança. Uma doença com padrões de herança diferentes pode ser causada por genes distintos, isto é, a
heterogeneidade genética. A clínica guia a pesquisa molecular. Existem mais
de 180 genes relacionados às distrofias de retina. A experiência em
genotipagem tem auxiliado a direcionar a pesquisa molecular. Quando um caso
semelhante tem seu gene identificado, esta informação facilita a pesquisa em
novos casos.
O que é mutação e polimorfismo?
Ambas são variações genéticas. A mutação é mais rara, encontrada com
frequência menor que 1% da população, e causa um defeito que está
relacionado ao aparecimento de uma doença. O polimorfismo é uma variação
mais frequente que não causa doença, mas que pode predispor ao aparecimento da doença.
As doenças monogênicas em geral são causadas por mutações. Para as
poligênicas, os polimorfismos genéticos podem predispor ao aparecimento de
determinada doença.
O que a genotipagem busca?
Dependendo da doença em questão, procura-se:
• Polimorfismo que confere risco para determinada doença.
Exemplo: polimorfismos que predispõem a DMRI (degeneração macular relacionada à idade).
• Mutação específica em um gene.
Exemplo: as distrofias de córnea são causadas
por mutações específicas no gene TGFβ1.
• Mutações variadas em determinado.
Exemplo: Doença de Stargardt, em geral, está
relacionada a mutações no gene ABCA4.
• Mutações variadas em um painel de genes.
Exemplo: Retinose Pigmentar e Amaurose
congênita de Leber podem ser causadas por vários genes cada uma. A maioria
das distrofias de retina se encontra neste grupo.
Qual método molecular deve ser empregado?
O método depende do que estiver sendo procurado. Se quisermos identificar
um polimorfismo ou uma mutação específica podemos testar diretamente aquele ponto do gene. O teste molecular é menos complexo. Usamos PCR e enzimas de restrição ou PCR real time ou ainda sequenciamento de um fragmento de DNA, um exon, por exemplo.
Se tivermos de pesquisar a mutação em qualquer ponto do gene está indicado
sequenciar este gene inteiro. O problema é maior quando temos de sequenciar
vários genes. Até bem pouco tempo atrás isso era economicamente inviável
como exame clínico. Os chips de DNA eram uma possibilidade alternativa, pois
testam o DNA do paciente contra uma biblioteca de mutações conhecidas. O
problema é que o paciente pode ter uma mutação que não está incluída no chip
e o teste é inconclusivo.
Mais recentemente, as técnicas de sequenciamento capilar (tradicional) foram
aprimoradas e optimizadas. Equipamentos para sequenciamento mais modernos, chamados sequenciadores de “next generation”, estão entrando no mercado.
Isso permite obter o diagnóstico nas situações em que o chip de DNA era
inconclusivo.
O sequenciamento aumentou a eficiência da genotipagem. O de “next
generation” permite a análise do genoma todo (genômica) ou apenas dos exons (exomas). Essas abordagens possibilitam a identificação de novos genes, o estudo de interação entre genes e de fatores modificadores da expressão dos genes (epigenômica).
A mutação identificada é sempre causadora de doença ou pode ser um
polimorfismo?
A análise da patogenicidade da mutação identificada:
• Deve-se pensar no heredograma da família, verificando-se se os afetados
são portadores da mutação.
• A mutação deve correlacionar com o padrão de herança. Por exemplo, uma
mutação recessiva pode causar a doença por não produzir a proteína. Já para
uma mutação dominante o efeito patogênico pode decorrer da insuficiência de
apenas um alelo do gene estar funcionando, o que é chamado
haploinsuficiência.
• A análise da estrutura da proteína gerada também auxilia esta
interpretação.
Existem bancos de dados sobre as mutações.
Aspectos éticos são importantes?
Os geneticistas são os profissionais preparados para avaliar as situações
familiares. Todo o teste genético deve ser acompanhado de uma consulta de
aconselhamento genético com o médico geneticista para explicar as
implicações do resultado do teste para o paciente e seus familiares.
Quais as perspectivas para os pacientes?
Nestes últimos anos alguns protocolos clínicos de pesquisa foram propostos.
E os primeiros resultados mostram melhora visual em situações bem
particulares. As técnicas empregadas variam entre reposição de carotenoides
e antioxidantes e terapia gênica.
A clínica continua soberana. Acompanhar os pacientes com consultas é
essencial. A genotipagem é indicada para aconselhamento genético, para
aprimorar o diagnóstico e para indicar a possibilidade do paciente
participar de algumas pesquisas clínicas.
Isso reforça que a prova de princípio existe. Há esperança dentro desta
linha de pesquisa que busca a melhora visual dos pacientes com doenças
genéticas.
referencia:http://www.stargardt.com.br/genotipagem-em-oftalmologia/

Fonte: Revista Universo Visual

quinta-feira, 2 de março de 2017

Resultados da estimulação elétrica para retinose pigmentar depois de um ano de tratamento.

A estimulação eléctrica transcorneal tolerada com segurança durante um ano em doentes com RP
21 de fevereiro de 2017
A estimulação transcorneal semanal auto-administrada em pacientes com retinite pigmentosa foi considerada segura e tolerável ao longo de um ano de tratamento, mas o estudo não conseguiu atingir seu objetivo primário de área de campo visual ampliada. O objetivo secundário foi alcançado com uma melhora significativa da eletrorretinografia fotópica (ERG), de acordo com os pesquisadores do estudo. 

A eletrorretinografia mede as reações elétricas de vários tipos de células na retina, incluindo os fotorreceptores (hastes e cones), as células retinianas internas (células bipolares e amacrinas) e as células ganglionares. 

Um total de 52 pacientes com retinite pigmentosa aplicou estimulação elétrica transcorneal (TES) por 30 minutos por semana durante um ano. As medidas de desfecho primário foram a área de campo visual e as medidas de desfecho secundário foram o desenvolvimento de parâmetros ERG. 
Os pacientes foram distribuídos aleatoriamente para os grupos: sham, 150%, ou 200% do limiar de fosfeno elétrico individual. Não houve diferença significativa na idade entre os grupos. 

Os pesquisadores avaliaram a acuidade visual, campo visual, haste e cone limite de estímulo de campo completo, limiares elétricos de fosfênio e PIO. 

Os pacientes realizaram a estimulação em casa após quatro sessões de treinamento no hospital. Não foram observados eventos adversos graves ou abandono do estudo. Os sintomas de olho seco em 31 dos 52 pacientes foram o principal evento adverso. 

A área de campo visual mostrou uma tendência para a prevenção da perda de campo visual no grupo de 200%. Para os grupos de 200% e 150%, observou-se uma melhora significativa da onda b de flash simples adaptada à luz. 

Tendências de função melhorada foram observadas para a amplitude da onda b escotópica para o grupo de 200%, disseram pesquisadores. 

Os pesquisadores não foram capazes de reproduzir o aumento altamente significativo da área de campo visual de um estudo anterior, de modo que o endpoint primário não foi alcançado. O objetivo secundário foi encontrado como uma melhora significativa do ERG fotópico no grupo de 200% demonstrou um efeito do TES na função do cone, de acordo com pesquisadores. 

Os pesquisadores vêem um potencial para TES em ajudar pacientes com retinite pigmentosa, mas mais estudos precisam esclarecer temas ótimos de estimulação e provar o papel definitivo do TES no tratamento de pacientes com degeneração retiniana, disseram. 


Fonte:http://www.rpfightingblindness.org.uk/newsevent.php?tln=newsevents&newseventid=559

Pessoas com visão monocular têm o mesmo direito que pessoas cegas?

Texto retirado do blog olhar de um cego.

Hoje irei tratar de um assunto que suscita muitas dúvidas e discussões: os direitos conquistados pelas pessoas com deficiência visual devem ser estendidos às pessoas com visão monocular? Antes de contextualizar sobre o assunto, devo deixar bem claro que não é o intuito desse blog promover a restrição de direitos, muito menos a discriminação de pessoas. Pelo contrário! O meu compromisso aqui é a desmistificação de conceitos equivocados, de modo a reforçar os direitos das pessoas cegas, que lidam diariamente com discriminação, preconceito, estigma, segregação e bloqueio de direitos fundamentais que lhe são garantidos pela Constituição.
Antes de tudo, é preciso entender o que é pessoa com deficiência, pessoa com deficiência visual e pessoa com visão monocular.
No que diz respeito à pessoa com deficiência, a principal normatização que devemos considerar é a Convenção Internacional Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência [1], um Tratado de Direitos Humanos construído pela ONU, junto com pessoas com deficiência militantes de movimentos sociais oriundos de mais de cem países. Tal convenção foi recepcionada pelo Brasil, tendo sido ratificada em 2009 com status de emenda constitucional, através do Decreto 6.949 [2].
A Convenção diz que pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas.
Aqui cabe destacar que tal definição incorpora o novo modelo social de direitos humanos sobre as pessoas com deficiência, que considera o impacto do ambiente em relação à funcionalidade do indivíduo, onde Deficiência = Limitação Funcional X Ambiente. Considerando o modelo social, transcreverei abaixo uma explicação retirada de uma publicação [3] da Secretaria Nacional De Promoção Dos Direitos Da Pessoa Com Deficiência:
“Se for atribuído valor zero ao ambiente, por ele não oferecer nenhum obstáculo ou barreira, e multiplicado por qualquer que seja o valor atribuído à limitação funcional do indivíduo, a deficiência terá como resultado zero. Por óbvio não quer esta teoria dizer que a deficiência desaparece, mas sim que deixa de ser uma questão problema, e a recoloca como uma questão resultante da diversidade humana.
Eu não conheço nenhum documento oficial dessa secretaria que esclareça especificamente o porquê que não tem lógica equiparar pessoas com visão monocular às pessoas cegas, dando-lhes os mesmos direitos, apesar de entender que uma secretaria que trata dos direitos das PCDs no âmbito federal deveria se manifestar de alguma forma sobre este tema. No entanto, fica claro na explicação citada, que pessoa com visão monocular não se enquadra no conceito de deficiência adotado pela Convenção da ONU, de acordo com o novo modelo social. Não existe lógica essa equiparação de direitos entre pessoas cegas e pessoas com visão monocular. E isso é por motivos óbvios! Ter visão monocular não provoca praticamente nenhum impedimento na vida de quem a tem. E isso não sou eu quem estou dizendo e sim especialistas cujos estudos já comprovaram que a única conseqüência da perda da visão de um dos olhos é um comprometimento da noção de profundidade, ou seja, uma limitação pífia diante de uma pessoa cega ou com baixa visão.
As pessoas com deficiência visual são detentoras de direitos previstos em várias legislações e todas se baseiam no Decreto 5.296 de 2004 [4] que determina a seguinte classificação;:
“deficiência visual: cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60o; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores;”
Visão monocular, por sua vez, quer dizer deficiência visual em um olho só, quando uma pessoa tem em um dos olhos a acuidade descrita na citação anterior, podendo ter 100% de visão em um olho e cegueira ou baixa visão no outro.
Então, para que possam entender:
É considerado cego o indivíduo que tem acuidade igual ou menor que 0,05 (20/400) no seu melhor olho. Eu já tive acuidade visual de 20/400 no melhor olho, com cegueira total no outro, o que pode equivaler a aproximadamente 5% de visão e que ainda permite enxergar alguma coisa, como cores, formas e textos grandes. Em locais que se conhece, dá pra andar normalmente, porque dá pra perceber móveis, colunas, mesas, portas, paredes, postes, carros próximos, etc. Não consegue enxergar fisionomias, imagens de fotos e vídeos, movimento do mouse no PC e características de ônibus, que aparecem tudo borrado. Para se locomover, só com uma bengala, podendo desviar de carros estacionados, barracas, postes, orelhões ou qualquer outro obstáculo que pode ser percebido de perto. Leitura e escrita só com braille ou computador com leitor de tela.
É considerado com baixa visão o indivíduo que tem acuidade entre 0,30 (20/60) até 0,05 (20/400) no seu melhor olho. Eu me lembro muito bem quando tinha 20/60 no melhor olho e 20/400 no pior, o que pode equivaler a 30% de visão e que permite enxergar muita coisa de perto. Dava pra dirigir em cidade pequena, porém com certa dificuldade de enxergar longe. Consegue se locomover na rua sem auxilio de bengala, esbarrando vez em quando com pessoas, piquetes e buracos, tendo muita dificuldade Em locais com pouca iluminação. Ônibus só dá pra ler o destino de perto, quase no ponto. Leitura e escrita ainda podem ser feitas, porém com maior dificuldade e cansaço. Computador, dá pra usar com a cara colada, dando pra afastar mais se mudar contraste de cores ou ampliador de tela para aumentar as letras.
É considerado com visão monocular o indivíduo que tem acuidade visual de 20/20 (100%) no seu melhor olho e qualquer uma das duas condições anteriores no outro olho, o que equivale a aproximadamente 75% da visão do indivíduo. No geral, não muda nada em sua rotina, dando pra fazer tudo. Permite dirigir carro de passeio sem restrições, tendo inclusive permissão do Detran para tirar habilitação. Enxerga de longe normalmente. Não muda nada na locomoção na rua. Não se esbarra em nada. A única limitação é uma pequena diminuição das noções de profundidade e distância. Se adquirida, o máximo que pode exigir é alguns dias para readaptação à vida sem um olho.
É muito tranqüilo pra mim tratar deste assunto, pois já tive visão monocular, inclusive em vários níveis. Já tive perda total em um olho, com 100% no outro (que é a definição exata de visão monocular); e já tive perda total em um olho, com perda gradativa no outro, cuja perda só classifica como cegueira legal, de acordo com o Decreto 5296, se a acuidade do melhor olho atingir 0,3 (20/60). É bom salientar que, enquanto a acuidade do melhor olho for maior do que isso (20/60), até se tem visão monocular, por enxergar, mesmo que menos que 100%, no melhor olho, porém, não é considerado com cegueira legal, que é o termo utilizado para determinar o deficiente visual detentor de direitos legais.
Analisando a citação lá atrás que explica o conceito de pessoa com deficiência, fica claro o porquê que a pessoa com visão monocular não pode ser considerada como tal. Trata-se de um indivíduo que tem limitação visual de um olho, que não deixa de ser uma deficiência. Entretanto, por ser uma limitação que não obstrui a sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas, não tem porquê dar-lhes os mesmos direitos que foram conquistados pelas pessoas cegas e com baixa visão. O fato de não haver imposição de obstáculos não quer dizer que a limitação de um olho desaparece, mas sim que deixa de ser uma questão problema, e a recoloca como uma questão resultante da diversidade humana.
E é bom salientar que o Decreto 5296 de 2004 já havia alterado a classificação de deficiência visual dada pelo Decreto 3.298 de 1999 [5], incluindo as pessoas com baixa visão (acuidade entre 20/30 e 20/400). Antes só tinha direito a benefícios de cotas em concurso público e empresas privadas, desconto de IPI na compra de automóveis novos, entre outros, as pessoas consideradas cegas, cuja acuidade deveria ser igual ou menor que 20/200. Tal mudança baixou a acuidade visual de 20/200 para 20/400 para ser considerado cego e incluiu pessoas com baixa visão, que, apesar de enxergarem relativamente bem, já têm algumas dificuldades que impedem sua participação plena na sociedade.
Então alguém vai dizer: mas quem tem visão monocular também tem impedimentos, como dificuldades de conseguir emprego, ao que respondo que não há nada que justifique tal impedimento, a não ser que seja para dirigir caminhão/ônibus, pois o Detran não permite, ou que seja pra ser militar, piloto de avião ou mesmo astrônomo, que exigem noção de profundidade perfeita. Eu já tive visão monocular, conheço atualmente várias pessoas que têm e estão empregadas, tenham sido por conta das cotas garantidas pela Súmula 377 do STJ [6], que é uma jurisprudência deste tribunal que permite equiparar equivocadamente visão monocular com cegueira por meio de processos judiciais ou determinados editais que a consideram para evitar tais processos, ou tenham sido pela ampla concorrência e devo dizer que essas pessoas não têm nem relatam ter absolutamente problema algum para desempenhar tarefas. Conseguem desempenhar com absoluta normalidade a leitura, escrita, uso do computador e seus sistemas e qualquer outra tarefa laboral e que façam parte da vida diária. Para se ter uma idéia, são pessoas que não têm nenhuma ligação com o movimento político das pessoas com deficiência e só têm se aproximado para aproveitar os direitos que foram conquistados a duras penas por estes. Afinal, quem não quer benefícios? Todos querem, porém tais benefícios são criados quando há motivos lógicos. E quando tais benefícios são estendidos indevidamente para outras pessoas sem um motivo lógico, o que acaba acontecendo é a restrição de direitos dos primeiros, ou seja, pessoas com visão monocular quando aprovado pelas cotas de concurso na verdade estão tomando o lugar de uma pessoa com deficiência que teria efetiva necessidade daquele cargo.
Os direitos conquistados pelas pessoas com deficiência surgiram após muita luta destes, como forma de corrigir erros históricos. As estatísticas mostram que grande parte das pessoas com deficiência vivem em situação de pobreza extrema, constituindo um nível extremamente baixo de educação, trabalho e renda em relação às demais pessoas. E tal realidade não surgiu por acaso. Trata-se de uma trágica conseqüência deste processo histórico de exclusão com o qual as pessoas com deficiência conviveram durante séculos. Para reparar esses erros históricos existem as leis e as políticas públicas de ação afirmativa, que são mecanismos utilizados pelo Estado para minimizar desigualdades que mantém em condições díspares determinadas minorias da sociedade, entre elas a das pessoas com deficiência, de forma a aumentar a participação destas no processo político, bem como no acesso ao emprego, educação, bens materiais e outros elementos que garantam um maior acesso à distribuição de renda e à igualdade de oportunidades.
Nesse sentido, benefícios são criados como forma de atenuar barreiras, corrigir exclusões e criar oportunidades que permitam uma participação plena das PCDs na sociedade como as demais pessoas. Toda lei tem um motivo lógico que justifique uma ação afirmativa para corrigir uma dívida histórica. Pra exemplificar, vou citar dois casos principais:
1. A reserva de vagas na administração pública e na iniciativa privada foi determinada pela Constituição de 1988 [7] e pelas Leis 8112 [8] e 8213 [9]. Para se ter uma idéia, a lei 8112 de 1990 determinou uma reserva de até 20% das vagas para pessoas com deficiência. Muitos concursos então previam uma porcentagem mínima, quase irrisória, já que a lei determinava um máximo, mas não indicava um mínimo, o que só foi determinado posteriormente em 5% pelo Decreto 3298 de 1999. Daí pra frente, os concursos públicos passaram a reservar no mínimo 5% das vagas. Então perceba que as oportunidades só são liberadas quando há obrigação legal, seja por preconceito, ignorância ou medo de dar posse em um cargo para uma pessoa com deficiência. Com as cotas, tais pessoas puderam ter acesso a uma oportunidade de emprego antes totalmente bloqueada. Em um mercado de trabalho tão competitivo, É muito difícil, quase impossível, convencer em uma entrevista de trabalho, que, apesar da sua deficiência, você é capaz de dar conta do trabalho, sem onerar a empresa. Por outro lado, o acesso a cursinhos e materiais de concursos nunca será igualitário entre uma pessoa cega ou cadeirante e as demais pessoas. Então fica claro a necessidade de cotas para estas pessoas, de forma a corrigir disparidades e proporcionar igualdade de oportunidades para todos.
2. Pessoas cegas, assim como deficientes físicos, mentais e autistas, têm direito à isenção de IPI, conforme Lei 8989 de 1995 [10] e de ICMS, conforme leis estaduais, na compra de automóvel novo. E, como qualquer lei de ação afirmativa, essas também tem os seus motivos. Antigamente, tais isenções só eram permitidas para deficientes físicos que dirigiam carros adaptados, como forma de compensar os gastos com essa adaptação. Com o tempo, tais isenções foram extendidas aos deficientes visuais, deficientes mentais e autistas. E vou lhe explicar qual a motivação lógica pra isso. A Constituição de 1988 determina como dever do Estado a facilitação do acesso dessas pessoas com deficiência aos bens e serviços coletivos, com a eliminação de obstáculos arquitetônicos e de todas as formas de discriminação. Como o Estado não consegue cumprir o seu dever constitucional de garantir às pessoas com deficiência a acessibilidade necessária nos transportes e vias públicos, pode corrigir tal dívida histórica proporcionando o acesso dessas pessoas ao carro próprio desonerado de impostos. Além dessa inacessibilidade que torna o uso de transporte público um tanto complicado para essas pessoas, um deficiente físico pode ter gastos consideráveis com a adaptação do seu automóvel, um deficiente visual pode ter gastos consideráveis com motorista, deficientes mentais e autistas podem ter gastos consideráveis com tratamento e é notório que todos estes têm dificuldades consideráveis para locomoção em ruas cada vez mais inacessíveis. Agora me diga qual o motivo lógico de se extender tal direito para pessoas com visão monocular! Nem os deficientes auditivos têm direito a essas isenções, justamente porque também não há motivo pra isso, apesar de serem pessoas com deficiência.
Acho interessante os argumentos advocatícios utilizados para requerer equiparação de direitos entre pessoas com visão monocular e pessoas cegas ou com baixa visão. A lei assegura a isenção de imposto de renda sobre os proventos de aposentados e pensionistas que possuem doenças graves, entre elas, a cegueira. Então causídicos argumentam que o legislador não distinguiu se se trata de cegueira total ou parcial. Sendo assim, ele é obrigado a entender que tal cegueira pode se referir à cegueira parcial de um olho só. Ora, pra mim cegueira é cegueira, cego é cego, mãe é mãe e vaca é vaca. Até onde eu sei não existe meio cego, meio honesto, nem meio gay. O legislador foi claro ao elencar situações de vulnerabilidade que justificariam uma isenção de IRPF nos proventos. Outro argumento utilizado é que não se pode negar direitos iguais a pessoas em situações semelhantes. Então eu pergunto qual a semelhança entre uma pessoa cega e outra com visão monocular? Pois eu respondo: absolutamente nenhuma. Chega a ser absurda a invocação da isonomia e da justiça social para equiparar seres com limitações claramente tão discrepantes. Na verdade, é uma injustiça social pensar em tratar igualmente duas pessoas tão diferentes. É como querer comparar um rico com um miserável, que, nesse caso, não de dinheiro e sim de visão. É como colocar essas duas figuras em uma pista de corrida para ver quem ganha. Na verdade, é isso que iria acontecer na prática: pessoas cegas e com baixa visão levando as suas limitações visuais para correr e concorrer com pessoas com visão monocular levando a sua visão quase plena. Quais ganharão essa corrida? Reflita!
Sendo assim, é preciso muito cuidado quando for tratar deste assunto, sobretudo no âmbito legislativo. Equiparar pessoas cegas com pessoas com visão monocular é um retrocesso sem tamanho. Imagina-se que, ao se estender os direitos dos cegos para os monoculares, estão incluindo estes, quando na verdade estão excluindo aqueles, formando um verdadeiro retrocesso. É inadmissível, depois de tanta luta, as pessoas cegas terem os seus direitos restringidos, quando deveriam ser consolidados. O Projeto de Lei 7460 de 2006 [11] que sugeria a classificação de visão monocular como deficiência visual já havia sido aprovado por um Congresso cheio de boas intenções, tendo sido vetado [12] pelo presidente Lula em 2008, certamente muito bem assessorado por quem entende do assunto e sob a seguinte justificativa:
“Segundo a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas relacionados à Saúde – Décima Revisão (CID-10), o enquadramento da visão monocular como deficiência dependerá da acuidade visual do olho único. O seu enquadramento sem a mencionada diferenciação causará distorções nas ações afirmativas nesta seara, prejudicando pessoas com outras deficiências.”
Recentemente foi aprovado na Câmara o projeto de lei nº 7699/2006 {13}, de relatoria da deputada Mara Gabrilli, que cria a Lei Brasileira da Inclusão, tendo sido enviado para o Senado. Na redação inicial desse projeto a visão monocular era classificada como deficiência visual. A redação final aprovada após tantas consultas públicas já não tem tal equiparação, tendo sido adotada a classificação de pessoa com deficiência de acordo com o que preconiza a Convenção da ONU. Tal mudança se deu após várias intervenções de especialistas no assunto e integrantes da sociedade civil que conseguiram suprimir as dúvidas sobre a discrepância absurda que é equiparar visão monocular com cegueira e baixa visão. Espero que tal entendimento coerente se mantenha na tramitação deste PL no Senado e nas próximas tentativas de equiparação absurda que venham a ser sugeridas por deputados cheios de boas intenções, mas totalmente desconexos com a causa das pessoas com deficiência visual.
[…]
[1] Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6949.htm
[2] Decreto 6949/2009. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6949.htm
[3] Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência: Novos Comentários – SNPD. Disponível em: http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/publicacoes/convencao-sdpcd-novos-comentarios
[4] Decreto 5296/2004. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/d5296.htm
[5] Decreto 3298/1999. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3298.htm#art50
[6] Súmula 377 do STJ. Disponível em: http://ww2.stj.jus.br/docs_internet/revista/eletronica/stj-revista-sumulas-2013_34_capSumula377.pdf
[7] Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm
[8] Lei 8112/1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8112cons.htm
[9] Lei 8213/1991. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm
[10] Lei 8989/1995. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8989.htm
[11] Projeto de lei CD 7460/2006. Disponível em: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=333133
[12] Mensagem de Veto nº 570/2008. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Msg/VET/VET-570-08.htm
[13] Projeto de lei CD 7669/2006. Disponível em: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=339407

Fonte:https://olhardeumcego.wordpress.com/2015/03/21/pessoas-com-visao-monocular-tem-o-mesmo-direito-que-pessoas-cegas/

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Reatech 2017.

Em 2017, a feira acontecerá entre os dias 1º e 4 de junho (1º e 2, das 13h às 20h, e 3 e 4, das 10h às 19h), e virá totalmente repaginada. A 15ª edição de Reatech será em um dos novos pavilhões do São Paulo Expo Exhibition & Convention Center, a fim de atender plenamente as necessidades de seus expositores e visitantes. Serão 4 dias de evento recheados de atividades culturais e sociais, como: equoterapia, teste drive de carros adaptados, quadras poliesportivas, seminários, workshops e oficinas com profissionais renomados.
Fonte:http://reatech.tmp.br/16/